<font color=0093dd>«O que faz falta é animar a malta» </font>
O Fórum Luísa Todi, em Setúbal, foi pequeno para acolher todos os que quiseram demonstrar o seu apoio à CDU, no passado dia 4. O entusiasmo e empenho dos militantes e activistas no distrito ficou uma vez mais demonstrado.
Em todo o País, a CDU foi recebida com simpatia e sem hostilidade
«Agora, só lá em cima, e com sorte, que cá em baixo está cheio», indicava uma camarada à porta para a plateia do Fórum Luísa Todi, em Setúbal, onde a CDU realizou um grande comício no passado dia 4. E estava a transbordar. Na plateia e, «lá em cima», no balcão, que também tinha gente de pé, ouvindo com entusiasmo as intervenções dos diversos oradores.
Pela tribuna passaram, para além do secretário-geral do PCP e do primeiro candidato pelo distrito – Francisco Lopes –, a dirigente do PEV e terceira da lista por Setúbal, Heloísa Apolónia, o dirigente da ID, João Corregedor da Fonseca, o jovem candidato Mário Peixoto e Odete Santos, candidata e presidente da Assembleia Municipal de Setúbal. Atrás, no palco, os restantes candidatos pelo círculo, bem como vários dirigentes e militantes dos partidos que compõem a coligação.
Antes das intervenções, o grupo Lado B animou os presentes com originais versões de conhecidas canções portuguesas. A terminar, «O que faz falta», de José Afonso, daria o mote para o resto do comício. Um comício que contou com o entusiasmo e confiança dos presentes e o compromisso de os transpor para fora, para o eleitorado.
Dar confiança
Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP, lembrou que também neste campo, a pré-campanha da CDU fez a diferença em relação às outras. «Fomos a única força política significativa a ir para o terreno dar esperança e confiança aos portugueses para irem votar no dia 20». Jerónimo de Sousa lembrou que as iniciativas realizadas durante a pré-campanha revelaram, para além da «elevada e crescente participação de militantes e amigos», uma enorme simpatia da população.
E destacou que, por todo o País, nos 18 distritos e nas duas regiões autónomas, não se ouviu «nem uma provocação, nem uma hostilidade». Se a simpatia se traduzisse em votos «estaríamos à beira de um resultado extraordinário», lembrou o dirigente do PCP. Mas mesmo que não seja, afirmou, «é um elemento de trabalho, já que a vida não vai parar, não vai acabar no dia das eleições».
Desfazer mistificações
O secretário-geral apelou aos militantes e activistas da coligação PCP-PEV para que, na campanha, desfaçam as várias mistificações em curso: da suposta eleição da Primeiro-Ministro, ou do PS ser o principal inimigo da CDU. Mas Jerónimo de Sousa esclareceu: «Não fazemos políticas por rótulos ou contra rótulos. Fazemos políticas baseada na avaliação dos factos e realidades.» Para o secretário-geral do PCP, «escusam de continuar a afirmar que o PCP está contra o PS e não contra a sua política, para justificar a impossibilidade de qualquer convergência e dramatizar e enfatizar a perigosa ideia da ingovernabilidade do País sem a tal maioria absoluta».
O secretário-geral comunista alertou ainda para as promessas que agora se fazem. E recordou as recentes afirmações de Jorge Coelho que caso o PS não venha a cumprir as promessas viria, ele próprio, daqui a quatro anos, dizer para não voltarem a confiar no seu partido. Entre as gargalhadas dos muitos participantes, o dirigente do PCP lembrou as promessas do mesmo Jorge Coelho sobre a criação de 15 mil postos de trabalho, no distrito, só na indústria naval. «Onde estão?» questionou, afirmando que não basta «atirar números para o ar».
Francisco Lopes
O voto triplamente útil é na CDU
Francisco Lopes, cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Setúbal, considera que o voto na CDU é triplamente útil. Serve, afirmou, para derrotar a direita, para impedir uma maioria absoluta do PS e, também, para dar mais força àqueles cujo programa é portador de um «projecto de desenvolvimento, de justiça social, de melhoria da qualidade de vida».
Mas, lembrou o candidato, estas eleições são também um momento de olhar para o passado, para a política que foi desenvolvida nos últimos 28 anos, por intermédio do PSD, PS e CDS-PP. E as suas consequências, destacou, estão à vista: desemprego, redução da frota pesqueira, abandono da agricultura, profundas desigualdades… «Esta memória tem que estar presente nestas eleições», realçou o candidato. E é necessário que sejam penalizadas. E o voto na CDU é também, afirmou, «um voto de penalização daqueles que são responsáveis pelos problemas que o nosso país e o distrito de Setúbal atravessam». Mas, para Francisco Lopes, a memória é necessária, mas no dia 20 de Fevereiro «está a decidir-se fundamentalmente o futuro».
Para além da necessidade de derrotar a direita, destacou, há que ter em conta a existência de «outros riscos». É que, lembrou, «há quem, em nome da mudança, queira continuar no essencial as políticas que vêm de trás. Há quem, e estamos a falar do Partido Socialista, apela a uma maioria absoluta, para ficar de mãos livres» para continuar, e mesmo aprofundar, traços muito negativos da política de direita.
«É necessário avaliar para o futuro, qual é a opção de voto que se deve ter, qual é o sinal que se pode dar nestas eleições para mudar de política, para mudar a sério», afirmou o candidato. Ao contrário do PSD, PS e CDS, «que desistiram de um projecto de desenvolvimento do País e do distrito de Setúbal, a CDU propõe, no quadro de uma estratégia nacional de desenvolvimento, um projecto de desenvolvimento económico e social do distrito». Um projecto que passa pela diversificação da actividade industrial, pela aposta na agricultura, nas pescas, no turismo, no comércio e nos serviços, na integração de um potencial tecnológico maior nas actividades económicas, que «crie condições para o desenvolvimento e para o emprego com direitos».
Face aos problemas que o distrito atravessa – desemprego, falta de médicos, hospitais sobrelotados, etc – o candidato comunista não acredita que sejam os partidos responsáveis por esta situação que os possam resolver. E alertou também para aqueles que, «insuflados por apoios diversos, que um dia se esclarecerão, não perdem uma oportunidade para agredir a CDU». Quando ao lema do BE, Francisco Lopes afirma que «é preciso ter lata». Afinal, realçou, «que confiança pode merecer uma força política cujos votos não se sabe para que vão ser usados: se um dia para fazer um número de circo mediático na AR se, noutro dia, para viabilizar um orçamento com orientações negativas».
«Eles falam falam…»
Coube a Mário Peixoto, candidato e dirigente da JCP, abrir a parte das intervenções. E abriu, recorrendo a um conhecido programa de humor: «Eles falam falam , mas não os vemos a fazer nada.» Se não fosse de propósito, afirmou, «até parecia uma telenovela» a campanha eleitoral, que considerou de «baixo nível».
Quanto a outros, acusou, «escrevem, escrevem, escrevem, filmam, filmam, filmam, mas depois não vemos nada». E exemplificou, com a iniciativa regional da Juventude CDU de apresentação dos candidatos jovens, onde, «após termos recebido confirmações da presença de vários órgãos de comunicação social, estes, pura e simplesmente, não apareceram».
Para Mário Peixoto, a realidade da vida dos jovens é completamente diferente do que se tem falado na campanha eleitoral dos outros partidos. E é uma realidade, lembrou, que não aparece nos jornais ou na televisão: «O que é real são os milhares de jovens que não conseguem comprar casa porque o governo acabou com o crédito bonificado à habitação; é o brutal aumento das propinas no ensino superior e no ensino profissional; é a tentativa de caminhar para a privatização das escolas do ensino secundário e os 45 por cento dos estudantes que têm que abandonar a escola antes do 12.º ano; são as mães adolescentes e o aborto clandestino; é a vida dos jovens desempregados, os baixos salários, os contratos infinitamente temporários, a flexibilização e a precariedade: Este é o dia-a-dia da esmagadora maioria dos jovens no distrito de Setúbal.»
Valorizar o trabalho humano
Odete Santos destacou a valorização do trabalho humano – manual ou intelectual – que é feita no programa eleitoral para as eleições de 20 de Fevereiro. Trabalho humano que, lembra, é responsável pelos grandes avanços na ciência e na técnica e que, como tal, têm de estar disponíveis a todos. E, referindo-se à Saúde, destacou que não podem ficar concentrados nas mãos de grupos capitalistas, como é o caso do Grupo Mello em Portugal.
Para a deputada – e candidata – comunista, as políticas seguidas, no distrito e no País, foram no sentido oposto. Daí os milhares «que se vêem perseguidos pelo limiar de pobreza, pelo aumento dos preços e pelos baixos salários». Numa referência apenas ao concelho de Setúbal, relativa ao ano de 2002, Odete Santos, citando dados do Instituto Nacional de Estatística, revelou que o concelho baixou, no ranking de todos os concelhos do País, dez lugares ao nível do índice de poder de compra (de 13.º para 23.º). «Esta é uma clara evidência das consequências das políticas de direita e da sua porfiada desvalorização do factor trabalho», destacou a deputada.
Pela tribuna passaram, para além do secretário-geral do PCP e do primeiro candidato pelo distrito – Francisco Lopes –, a dirigente do PEV e terceira da lista por Setúbal, Heloísa Apolónia, o dirigente da ID, João Corregedor da Fonseca, o jovem candidato Mário Peixoto e Odete Santos, candidata e presidente da Assembleia Municipal de Setúbal. Atrás, no palco, os restantes candidatos pelo círculo, bem como vários dirigentes e militantes dos partidos que compõem a coligação.
Antes das intervenções, o grupo Lado B animou os presentes com originais versões de conhecidas canções portuguesas. A terminar, «O que faz falta», de José Afonso, daria o mote para o resto do comício. Um comício que contou com o entusiasmo e confiança dos presentes e o compromisso de os transpor para fora, para o eleitorado.
Dar confiança
Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP, lembrou que também neste campo, a pré-campanha da CDU fez a diferença em relação às outras. «Fomos a única força política significativa a ir para o terreno dar esperança e confiança aos portugueses para irem votar no dia 20». Jerónimo de Sousa lembrou que as iniciativas realizadas durante a pré-campanha revelaram, para além da «elevada e crescente participação de militantes e amigos», uma enorme simpatia da população.
E destacou que, por todo o País, nos 18 distritos e nas duas regiões autónomas, não se ouviu «nem uma provocação, nem uma hostilidade». Se a simpatia se traduzisse em votos «estaríamos à beira de um resultado extraordinário», lembrou o dirigente do PCP. Mas mesmo que não seja, afirmou, «é um elemento de trabalho, já que a vida não vai parar, não vai acabar no dia das eleições».
Desfazer mistificações
O secretário-geral apelou aos militantes e activistas da coligação PCP-PEV para que, na campanha, desfaçam as várias mistificações em curso: da suposta eleição da Primeiro-Ministro, ou do PS ser o principal inimigo da CDU. Mas Jerónimo de Sousa esclareceu: «Não fazemos políticas por rótulos ou contra rótulos. Fazemos políticas baseada na avaliação dos factos e realidades.» Para o secretário-geral do PCP, «escusam de continuar a afirmar que o PCP está contra o PS e não contra a sua política, para justificar a impossibilidade de qualquer convergência e dramatizar e enfatizar a perigosa ideia da ingovernabilidade do País sem a tal maioria absoluta».
O secretário-geral comunista alertou ainda para as promessas que agora se fazem. E recordou as recentes afirmações de Jorge Coelho que caso o PS não venha a cumprir as promessas viria, ele próprio, daqui a quatro anos, dizer para não voltarem a confiar no seu partido. Entre as gargalhadas dos muitos participantes, o dirigente do PCP lembrou as promessas do mesmo Jorge Coelho sobre a criação de 15 mil postos de trabalho, no distrito, só na indústria naval. «Onde estão?» questionou, afirmando que não basta «atirar números para o ar».
Francisco Lopes
O voto triplamente útil é na CDU
Francisco Lopes, cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Setúbal, considera que o voto na CDU é triplamente útil. Serve, afirmou, para derrotar a direita, para impedir uma maioria absoluta do PS e, também, para dar mais força àqueles cujo programa é portador de um «projecto de desenvolvimento, de justiça social, de melhoria da qualidade de vida».
Mas, lembrou o candidato, estas eleições são também um momento de olhar para o passado, para a política que foi desenvolvida nos últimos 28 anos, por intermédio do PSD, PS e CDS-PP. E as suas consequências, destacou, estão à vista: desemprego, redução da frota pesqueira, abandono da agricultura, profundas desigualdades… «Esta memória tem que estar presente nestas eleições», realçou o candidato. E é necessário que sejam penalizadas. E o voto na CDU é também, afirmou, «um voto de penalização daqueles que são responsáveis pelos problemas que o nosso país e o distrito de Setúbal atravessam». Mas, para Francisco Lopes, a memória é necessária, mas no dia 20 de Fevereiro «está a decidir-se fundamentalmente o futuro».
Para além da necessidade de derrotar a direita, destacou, há que ter em conta a existência de «outros riscos». É que, lembrou, «há quem, em nome da mudança, queira continuar no essencial as políticas que vêm de trás. Há quem, e estamos a falar do Partido Socialista, apela a uma maioria absoluta, para ficar de mãos livres» para continuar, e mesmo aprofundar, traços muito negativos da política de direita.
«É necessário avaliar para o futuro, qual é a opção de voto que se deve ter, qual é o sinal que se pode dar nestas eleições para mudar de política, para mudar a sério», afirmou o candidato. Ao contrário do PSD, PS e CDS, «que desistiram de um projecto de desenvolvimento do País e do distrito de Setúbal, a CDU propõe, no quadro de uma estratégia nacional de desenvolvimento, um projecto de desenvolvimento económico e social do distrito». Um projecto que passa pela diversificação da actividade industrial, pela aposta na agricultura, nas pescas, no turismo, no comércio e nos serviços, na integração de um potencial tecnológico maior nas actividades económicas, que «crie condições para o desenvolvimento e para o emprego com direitos».
Face aos problemas que o distrito atravessa – desemprego, falta de médicos, hospitais sobrelotados, etc – o candidato comunista não acredita que sejam os partidos responsáveis por esta situação que os possam resolver. E alertou também para aqueles que, «insuflados por apoios diversos, que um dia se esclarecerão, não perdem uma oportunidade para agredir a CDU». Quando ao lema do BE, Francisco Lopes afirma que «é preciso ter lata». Afinal, realçou, «que confiança pode merecer uma força política cujos votos não se sabe para que vão ser usados: se um dia para fazer um número de circo mediático na AR se, noutro dia, para viabilizar um orçamento com orientações negativas».
«Eles falam falam…»
Coube a Mário Peixoto, candidato e dirigente da JCP, abrir a parte das intervenções. E abriu, recorrendo a um conhecido programa de humor: «Eles falam falam , mas não os vemos a fazer nada.» Se não fosse de propósito, afirmou, «até parecia uma telenovela» a campanha eleitoral, que considerou de «baixo nível».
Quanto a outros, acusou, «escrevem, escrevem, escrevem, filmam, filmam, filmam, mas depois não vemos nada». E exemplificou, com a iniciativa regional da Juventude CDU de apresentação dos candidatos jovens, onde, «após termos recebido confirmações da presença de vários órgãos de comunicação social, estes, pura e simplesmente, não apareceram».
Para Mário Peixoto, a realidade da vida dos jovens é completamente diferente do que se tem falado na campanha eleitoral dos outros partidos. E é uma realidade, lembrou, que não aparece nos jornais ou na televisão: «O que é real são os milhares de jovens que não conseguem comprar casa porque o governo acabou com o crédito bonificado à habitação; é o brutal aumento das propinas no ensino superior e no ensino profissional; é a tentativa de caminhar para a privatização das escolas do ensino secundário e os 45 por cento dos estudantes que têm que abandonar a escola antes do 12.º ano; são as mães adolescentes e o aborto clandestino; é a vida dos jovens desempregados, os baixos salários, os contratos infinitamente temporários, a flexibilização e a precariedade: Este é o dia-a-dia da esmagadora maioria dos jovens no distrito de Setúbal.»
Valorizar o trabalho humano
Odete Santos destacou a valorização do trabalho humano – manual ou intelectual – que é feita no programa eleitoral para as eleições de 20 de Fevereiro. Trabalho humano que, lembra, é responsável pelos grandes avanços na ciência e na técnica e que, como tal, têm de estar disponíveis a todos. E, referindo-se à Saúde, destacou que não podem ficar concentrados nas mãos de grupos capitalistas, como é o caso do Grupo Mello em Portugal.
Para a deputada – e candidata – comunista, as políticas seguidas, no distrito e no País, foram no sentido oposto. Daí os milhares «que se vêem perseguidos pelo limiar de pobreza, pelo aumento dos preços e pelos baixos salários». Numa referência apenas ao concelho de Setúbal, relativa ao ano de 2002, Odete Santos, citando dados do Instituto Nacional de Estatística, revelou que o concelho baixou, no ranking de todos os concelhos do País, dez lugares ao nível do índice de poder de compra (de 13.º para 23.º). «Esta é uma clara evidência das consequências das políticas de direita e da sua porfiada desvalorização do factor trabalho», destacou a deputada.